Ela falou que ia embora e eu não pude fazer nada. Eu sabia que quando virasse aquela porta, seu desejo era de me ouvir pedindo-a para ficar, mas as palavras estavam amarrotadas em minha garganta. Se eu a pedisse para continuar comigo, eu estaria alimentando minha insegurança. Aquela insegurança que permanece sobre meus ombros sempre que aparece alguém disposto a largar tudo por mim. Até que ponto isso está no perímetro aceitável de estupidez? Quantas pessoas importantes é preciso perder para se tocar que a insegurança de amar é apenas um empecilho para as pessoas que mais precisam de amor?
E agora, ela está longe demais. Voou para onde sabia que seria amada, voou para onde se sentiria segura. Talvez ela também não tivesse certeza de que daríamos certo, mas foi mais forte do que qualquer incerteza que pudesse ter. Essa foi a diferença entre nós. Ela foi forte para encarar e eu, covarde demais para admitir que estar ao lado dela era tudo o que eu precisava e, mais importante, tudo o que eu queria. Se não fosse o medo de me jogar de cabeça, de me permitir chegar ao alto das boas expectativas e ,quem sabe, mesmo na menor das possibilidades, eu seria feliz ao seu lado. E mesmo se eu caísse, aprenderia a ver o lado bom da coisa e aproveitar o vento em meu rosto durante a queda, aprendendo que nada na vida é certo e, como já dizia a Lei de Murphy, tudo é suscetível a dar errado. Se já sabemos disso, como podemos dizer que vivemos quando o medo de cair sempre caminha ao nosso lado?
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