O nome dela não vai ser precisamente Margo. Talvez nem seja uma garota. Pode ser aquela garota mais popular do colégio, ou até mesmo aquele vizinho lindo que você conheceu há um tempo. As palavras que vocês trocam são poucas, mas cada uma delas te dá a sensação de que foram os segundos mais preciosos da sua vida. E quando ela passar por você, você nem vai conseguir avisar ao amigo ao seu lado porque toda sua atenção vai se resumir em vê-la passar, e em decorar o formato de seus lábios ao sorrir e a falar todas aquelas palavras que, pra você, são incríveis. E você também vai achá-la a pessoa mais incrível do mundo. Não haverá ninguém no mundo que seja páreo pra tamanha beleza e inteligência, e não há a possibilidade em sua mente de cogitar uma nova paixão. A Margo vai ser tudo o que precisa - mesmo que você nem tenha certeza de que ela sabe o seu nome.
E então você vai começar a se privar de qualquer possível romance que venha a acontecer porque Margo é suficiente pra você. Por que se importar com outras garotas quando existe alguém tão incrível quanto ela?
Ela te diz um "oi" em um dia qualquer e esse dia passa a ser o melhor da sua vida. Só que você percebe que no dia seguinte ela nem notou que você a observava. Você começa a se perguntar o que está fazendo de errado e o que precisa fazer para que Margo te note. Mas você não se cansa de olhá-la, não se cansa de tentar fazê-la gostar de você,até que você se dá conta de que ela sequer te conhece -e, o maior paradoxo de todos, você nem a conhece tão bem assim.
A partir daí se inicia uma jornada onde você se prontifica a conhecer a fundo quem ela é. E você cria coragem para falar com ela, andar ao lado dela, estudar cada uma de suas facetas até o grande momento onde você se dá conta de que ela nada mais é do que uma pessoa normal e humana. Assim como você e como todas as outras garotas do mundo. Sua preocupação em idolatrá-la sempre foi mais priorizada do que a vontade de conhecer seu verdadeiro "eu",e quando finalmente esse lado é conhecido, você se dá conta de que não há nada de espetacular sobre Margo. Acabou que tudo era uma idealização do que você queria que ela fosse e, ainda assim, não era nela que estava o problema. Era em você. Margo não precisava ser idealizada, ela sequer se importava com o que você pensava. No final das contas, era você quem precisava depositar suas idealizações em alguém. Margo era quem era e sabia disso. Era você quem realmente estava perdido.
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