Chega um momento onde não há muito a ser feito. É como se você estivesse preso numa caixa, pequena e estreita. Você se debate, mas nada acontece. Continua preso, estático. Do lado de fora, você consegue ver o que se passa. É um precipício e você está caindo. E não há nada que possa ser feito a não ser assistir em silêncio, ver tudo se acabar.
Eu tentei me culpar, mas não funcionou. Você me trancou nessa caixa; trancou o meu coração. Não houve nada que eu pudesse fazer enquanto tudo se acabava, mas você tampouco se importou em impedir. Deixou-me cair do precipício, assistindo a tudo com calmaria.
Quando que dar o meu melhor, tudo de mim, deixou de ser suficiente? É difícil de explicar. Seria mais fácil se me deixasse ir, se não tentasse encontrar tantas desculpas, tentar problematizar tudo e encontrar culpados. Nos desencontramos e talvez isso fosse a única coisa que precisávamos saber. Era mais fácil simplesmente me deixar.
É difícil ser a única pessoa a amar numa relação. É difícil ser abandonada aos poucos - é como se seu coração fosse esmagado gradativamente, a dor é mais intensa, torna-se constante. É difícil se render. Abrir mão daquilo que um dia te fez abrir sorrisos abobalhados em momentos inoportunos. Mas quando os pedaços não encaixam mais é inútil continuar lutando por uma coisa que, uma hora ou outra, terá um fim óbvio e premeditado. As rachaduras surgem e o inevitável acontece. Tudo chega ao fim e dessa vez não existe conserto.

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