“Minhas crises existenciais tornaram-se constantes ultimamente. Assisti a esse filme, Medianeiras, e em um momento, a protagonista fala que somos apenas uma parte muito pequena do universo, que somos um infinito e somos eternos. É possível que isso se encaixe a nós, com todos os nossos dramas e histórias de amor? Às vezes tenho essa impressão de que o mundo gira ao meu redor – mas não gira ao meu favor. Que cada pequeno bater de asas que é executado do outro lado do mundo, acaba refletindo em minha vida como uma catástrofe de tristeza. Parece exagero, mas é como me sinto. Talvez eu precise ir a um planetário, assim como a protagonista do filme. Talvez eu precise me ver a partir de um ponto infinito, saber que nada mais sou além de uma peça muito pequena de um conjunto de histórias que constituem o universo.
Na verdade, não passamos de estrelas
perdidas. Estrelas que percorrem a galáxia tentando exercer o máximo de
contribuição: iluminar a escuridão. Passamos nossas vidas tentando nos tornar
algo que nunca seremos. Continuaremos perdidos enquanto não nos dermos conta
disso, enquanto não nos encontrarmos.
Você deve estar se perguntando o
porquê de toda essa intertextualidade. Seria mais fácil ir direto ao ponto,
acho que você pensou isso também. Mas o que eu quero é que você entenda que
estou predestinada a ser uma estrela perdida. Minha história não é interessante,
eu tampouco tenho algo de bom para contar ao mundo, mas não posso reprimir meus
sentimentos. Não posso parar de buscar aquilo que acredito ser o certo apenas
por meu destino já estar traçado. Eu sei que meu fim é premeditado, mas é com o
fim que as estrelas resplandecem. Hoje eu posso estar cheia de incertezas,
dúvidas e ilusões à cerca do que sou e do que quero; mas um dia irei me
expandir até tornar-me um brilho intenso no céu. Serei uma nebulosa planetária,
como os astrônomos denominam o fenômeno. Irei esfriar aos poucos até me tornar
uma anã negra, ficarei praticamente invisível. Já não terei consciência para
saber, mas por um período do tempo fui capaz de iluminar a escuridão e alguém
certamente haverá notado. Terá sido um grande sacrifício, mas ao menos, saberei
que tudo valeu a pena”.
Para ler ouvindo:

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